domingo, 17 de novembro de 2013

MANIFESTO DO SIM!

Nasci num dia TALVEZ,
com todas as possibilidades pela frente.
Motivaram-me a ser a melhor,
para me destruirem os sonhos,
mais adiante!
Disseram-me, NÃO!

Eu PENSEI, SIM!
Um dia hei-de ser o que eu quiser!



Obediente e ordeira,
fui aceitando o Não
mas por minha companheira
a secreta vontade do Sim!
E disse Sim
à infinita e espontanea vontade
de ser útil,
a minha arte transformei
em razão de não ser fútil.

E dentro do NÃO, CRESCI em SIM!



Deu-me a vida a gratidão
de um dia, já longínquo,
ver um SIM em toda a parte
em vez do Não.
Foi breve o sonho
e aos poucos, por falta de engenho e arte,
de muito brilho na ganância e pouco siso,
vi a minha gente, por sua mão,
transformar o Sim em Não
e roubar-me do olhar o meu sorriso!
Ainda assim,
em casa, no trabalho, na escola fora de horas,

CONTINUEI A DIZER, SIM!



Depois... quis saber do Amor.
Daquele Amor que para saber esperara,
e que pela mão dos poetas,
trazidos pela ambulante Biblioteca,
tanto sonhara.
E a Vida disse-me NÃO!

Em contrapartida, preparei-me para ser mãe
pari 2 lindos filhos,
não embora sem temor.
Com eles conheci um outro Amor
que nem sabia que existia,
que com eles tem vindo a crescer
e pensei que, se eu sobrevivia
eles haveriam de viver.
E assim, à minha maneira,
com uma vontade sem fim,

VOLTEI A DIZER SIM!



A vida tudo me tem dado
para me fazer crescer
e o Karma da diferença
haveria de manter.
Um dos meus rebentos
trouxe com ele tormentos
que me faltavam conhecer.

A "minha gente" disse-nos NÃO!

Mas através de tal acto
eu pude enfim entender
o que os Homens são, de facto.

O meu país, aquele que ajudei a crescer,
negou-lhe cuidados de saúde
e a oportunidade de aprender.
Aqueles que se formaram
com a minha contribuição
disseram-nos que "GENTE"
ele nunca haveria de ser.
Por não saberem a razão
rotularam-no de Diferente,
comprometeram-lhe o futuro,
decidiram excluí-lo em nome da Inclusão!


E AGORA, PELO SIM, SOU EU QUEM DIZ - NÃO!


Rejeitamos compaixão
e não queremos mendicidade!
Não queremos viver de pensões!
Só quero o que nos é devido
pelas minhas contribuições!
Tenho uma palavra a dizer
e digo BASTA! a pulhas, ladrões,
corruptos e incompetentes.
Ainda há muito a fazer
nesta sociedade que só mente,
para que ele encontre na cidade
a moral que em casa aprende.

E não me venham com palmadinhas,
diplomas e falsas moralidades
que a paciência me torra!
Deixem-no viver feliz!
Deixem-me morrer em paz, PORRA!

A dignidade que não me conseguem roubar,
a vontade não conter
e a voz não me calar,
me orgulham de vos dizer
que caio sempre de pé
e como as árvores hei-de morrer!

Pouco me importa por quem me tomem.
EU NÃO PUDE SER MENINA
MAS O MEU FILHO...
O MEU FILHO HÁ-DE SER HOMEM!!!



Amélia Florindo

VNG, 30-10-2012





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