sábado, 18 de maio de 2013

Actualização


Este Blog foi criado numa época em que não havia nada para ler sobre autismo em Portugal (2006).
Foi pensado e alinhavado muito antes, alguns anos (2000), de me encher de coragem para abrir mão da minha privacidade em nome de uma realidade que deveria resgatar-se ao tabu e ao preconceito e trazê-la à luz dos direitos e igualdades em cidadania.
Pretendia ser um ponto de encontro de pais que como eu se tinham deparado com um túnel sem luz no fundo, um buraco negro para onde nos atiraram a sorte, a insensibilidade, a injustiça social, a negligência, a arrogância e prepotência, o preconceito pela diferença e até mesmo os erros de diagnóstico.
Pretendia ser um alerta para o desrespeito pela Lei e contra a negligência.
Pretendia ser um SOS lançado na rede, na esperança que fosse lido por pessoas que se importassem, se sensibilizassem e estivessem em posição de fazer a diferença.
Muitos o leram. Alguns até fizeram teses e curriculum com ele.
Inspirou estudantes universitários, escritores, jornalistas, canais televisivos, visionários, empresários, etc. Só não serviu os propósitos para que foi criado.

Agora, autismo virou moda.
Ainda se faz nada ou muito pouco, a sério, para prestar aos autistas e respectivas famílias o apoio de que carecem e têm direito mas já se fala e muito, por vezes até demais.

Agora que a escolaridade obrigatória do Iúri chegou ao fim, que a escola me devolve um filho com 19 anos, muito diferente daquele que fui obrigada a entregar aos seus cuidados, aos 6 anos de idade - mais dependente, sem auto-estima e desmotivado, com maneirismos e rotinas que adquiriu nas diversas Unidades de Autismo por onde passou, sem qualquer preparação académica ou encaminhamento via profissionalizante, resumindo: "autista" sem futuro, em quem se preferiu não investir - já nada tenho a perder.
Contudo, dita-me a sensatez que me cale, por enquanto. Não quero dar voz a uma enorme revolta que legitimamente sinto e contrarie os meus propósitos iniciais, denunciando aqui todos os negligentes, toda a hipocrisia que gere uma educação e integração que apenas existe no papel.

Este blog tem estado inactivo porque, sempre que penso actualiza-lo, não me ocorre senão revolta, mágoas, críticas e temas muito polémicos.
Já não me faz sentido!
Mais ainda quando, cada vez menos concordo com tal diagnóstico que comprometeu e penhorou, não só a qualidade de vida e o futuro do meu filho, como também o meu.
Em Portugal brinca-se impunemente com a vida dos portugueses, especialmente com aqueles que maiores cuidados exigem!

Teve este blog, pelo menos, o mérito de encorajar outros pais a exporem-se, a perderem a vergonha de assumirem ter um filho autista; a alertar outros para os primeiros sinais e procurarem ajuda precoce, reduzindo o agravamento da deficiência do espectro autista.

Só não o eliminei, por consideração e respeito a todos quantos ele serviu de farol.
Ele permanece, apenas para vós!
Gostaria de vos trazer boas novas mas infelizmente não as tenho.
Não desistam e não permitam que façam o mesmo aos vossos filhos!

Muita Luz na vossa caminhada.
Abraço!

Amélia Florindo
17-05-2013

2 comentários:

  1. Meu filho Cássio tem 4 anos e é autista entre outras coisas. Leio muito, ouço muito mais. Tenho muita fé mas sei que muita coisa pode ser ilusão e fantasia!!!

    Tem uma dica para me dar, ou pelo menos para eu desviar de armadilhas!!!

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  2. Olá,tens muita razao no que dizes...bjinho e forte abraço para ti e Igor, do Eduardo Pizarro!

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