ACTIVIDADES - Infantário e ATL
Durante os primeiros anos de vida o Iuri não frequentou qualquer Infantário.
O pai trabalhava em casa e a mãe tinha horário de roullement o que lhe permitiu crescer no refúgio do ambiente familiar. Uma vantagem? - talvez não... desta forma o Iúri viu-se inibido das brincadeiras, da aprendizagem e do convívio que essas instituições proporcionam.
Passava muito tempo a brincar sozinho, na sala, em frente à televisão. Acompanhava sempre os pais nas idas às compras, ao café, a casa de familiares e amigos ou num passeio pela beira-mar, mas não tinha amigos ou familiares da sua idade com quem partilhar brincadeiras e descobertas.
O Iúri tem um irmão, quase 12 anos mais velho. O irmão assumiu para com ele um papel quase paternal e sempre tiveram optimo relacionamento.
Quando os pais notaram uma alteração no comportamento do Iúri no que concerne ao desenvolvimento da fala, concluiram à cerca da necessidade dum Infantário. Inscreveram-no em várias instituições, apesar das mensalidades de algumas delas representarem um enorme esforço para os seus recursos económicos. Sucessivamente viram negada a integração da criança nessas instituições, sem que em qualquer dos casos tivessem sido reembolsados do valor da inscrição. A resposta era sempre a mesma: "não dispomos de pessoal qualificado".
Durante os primeiros anos de vida o Iuri não frequentou qualquer Infantário.
O pai trabalhava em casa e a mãe tinha horário de roullement o que lhe permitiu crescer no refúgio do ambiente familiar. Uma vantagem? - talvez não... desta forma o Iúri viu-se inibido das brincadeiras, da aprendizagem e do convívio que essas instituições proporcionam.
Passava muito tempo a brincar sozinho, na sala, em frente à televisão. Acompanhava sempre os pais nas idas às compras, ao café, a casa de familiares e amigos ou num passeio pela beira-mar, mas não tinha amigos ou familiares da sua idade com quem partilhar brincadeiras e descobertas.
O Iúri tem um irmão, quase 12 anos mais velho. O irmão assumiu para com ele um papel quase paternal e sempre tiveram optimo relacionamento.
Quando os pais notaram uma alteração no comportamento do Iúri no que concerne ao desenvolvimento da fala, concluiram à cerca da necessidade dum Infantário. Inscreveram-no em várias instituições, apesar das mensalidades de algumas delas representarem um enorme esforço para os seus recursos económicos. Sucessivamente viram negada a integração da criança nessas instituições, sem que em qualquer dos casos tivessem sido reembolsados do valor da inscrição. A resposta era sempre a mesma: "não dispomos de pessoal qualificado".
Inicialmente o Iúri acompanhava os pais no acto de inscrição nos Infantários. Mostrava um grande interesse e satisfação e, nalguns casos chegou mesmo a auto-integrar-se nas actividades em curso, durante as breves visitas às instalações. Criava espectativas e mostrava-se ansioso em ingressar nesse mundo fascinante de que não dispunha em casa. Ano após ano viu esse sonho ficar cada vez mais longínquo. As sucessivas rejeições levaram os pais a desistir e a querer poupá-lo a essa humilhação e frustração.
A ingressão na vida escolar surgia a passos largos e os pais sabiam não estar a criança preparada para essa nova fase. Ele aprendeu sozinho as cores (primárias e secundárias), algumas letras e números mas, apesar disso demonstrar um interesse natural, não era suficiente. Então, através dum colega de trabalho da mãe e por especial favor, o Iúri ingressou no Infantário LATI em Setúbal, já no final do ano lectivo durante mês e meio, de 15 de Maio a 30 de Junho de 1999. A renovação da inscrição não foi aceite devido a obras de remodelação na referida instituição que acabou por se encontrar inactiva durante todo o ano lectivo que se seguiu.
Afastado do prazer que aquela experiência lhe trouxe, o Iúri foi ficando cada vez mais triste e menos participativo - desinteressado. Passava longas horas à janela a observar a rua com olhar triste e distante.
Pré-Escola
A família, sentindo-se frustrada e impotente resolveu mudar-se para a Marinha Grande, na espectativa de poder encontrar aí melhores condições de vida e de apoio para o Iúri, tal como vinha sendo anunciado por alguns familiares. Mas, também aí o cenário se repetiu. Estavamos em Setembro de 2000 e o Iúri, com 6 anos, deveria dar inicio à sua escolaridade obrigatória contudo, os pais eram de opinião de que a criança não se encontrava preparada, nem a criança nem a escola.
Tentaram increvê-la sem sucesso em todas as pré-escolas e infantários públicos da cidade; seguiram-se os colégios e instituições particulares (ex: APPACDM). Já completamente desanimados e revoltados obtiveram finalmente o apoio de que careciam junto da então Directora da Pré-Escola da Ordem, que o recebeu com todo o empenho e carinho apesar de ter uma turma super-lotada e do Iúri não pertencer à área de residência da escola.
Graças à conjugação de esforços da Directora da Pré-Escola e dos pais foi possível criar algumas condições para receber o Iúri. Foi então solicitado um ano de adiamento escolar, uma tarefeira de apoio específico a tempo inteiro bem como o apoio de uma Técnica de Ensino Especial. Esta última funcionava num período de 3h/dia em 3 dias/semana.
A Técnica de Ensino Especial, recém-formada, nas suas tarefas com a criança utilizava técnicas a raiar o desumano com as quais nem a Directora nem os pais concordavam. Por isso as relações entre eles foram ao longo desse ano lectivo sempre muito conflituosas. Frequentemente os pais foram chamados pela Directora a intervir junto da Técnica desautorizando-a de algumas atitudes e técnicas que aplicava na criança. Os pais levaram estes factos ao conhecimento do CAE respectivo sem no entanto terem obtido qualquer resposta.
Após o final desse ano lectivo a referida Técnica procurou a mãe, a título confidencial, e assumiu alguns dos erros cometidos pedindo desculpas, que não foram aceites. Apesar da coragem e humildade reveladas nesse acto as suas revelações vieram comprovar as razões sentidas pelos pais mas não pouparam a criança dos maus tratos, incompetencia, humilhações a que entretanto fora sujeita e a influencia nefasta que essa experiência operou no seu comportamento.
Graças à conjugação de esforços da Directora da Pré-Escola e dos pais foi possível criar algumas condições para receber o Iúri. Foi então solicitado um ano de adiamento escolar, uma tarefeira de apoio específico a tempo inteiro bem como o apoio de uma Técnica de Ensino Especial. Esta última funcionava num período de 3h/dia em 3 dias/semana.
A Técnica de Ensino Especial, recém-formada, nas suas tarefas com a criança utilizava técnicas a raiar o desumano com as quais nem a Directora nem os pais concordavam. Por isso as relações entre eles foram ao longo desse ano lectivo sempre muito conflituosas. Frequentemente os pais foram chamados pela Directora a intervir junto da Técnica desautorizando-a de algumas atitudes e técnicas que aplicava na criança. Os pais levaram estes factos ao conhecimento do CAE respectivo sem no entanto terem obtido qualquer resposta.
Após o final desse ano lectivo a referida Técnica procurou a mãe, a título confidencial, e assumiu alguns dos erros cometidos pedindo desculpas, que não foram aceites. Apesar da coragem e humildade reveladas nesse acto as suas revelações vieram comprovar as razões sentidas pelos pais mas não pouparam a criança dos maus tratos, incompetencia, humilhações a que entretanto fora sujeita e a influencia nefasta que essa experiência operou no seu comportamento.
Durante esse período ele mostrou-se sempre muito revoltado, pouco participativo e intolerante às ordens, não tendo conseguido beneficiar de todo o carinho, atenção e apoio que ali lhe fora proporcionado pelos outros elementos da escola.
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Ocupação de Tempos Livres
Perante a dificuldade em conciliar os horários de trabalho dos pais e os horários escolares, o Iúri passou a frequentar, a título excepcional (porque a mãe era assistente administrativa numa Escola Básica 2º e 3º Ciclos em Leiria), uma instituição particular que se ocupava do período de almoço e dos tempos livres no período da tarde, das 15,30h às 18h. À excepção de, com alguma frequência, encontrar o Iúri choroso e triste, tudo parecia correr dentro da normalidade. Quando inquirida sobre os motivos destas ocorrências a Directora da instituição sempre dizia que não sabia o que se passava, pois ele chorava sem motivo e por vezes esse comportamento acabava por interferir com o normal funcionamento das salas de estudo.
Após cerca de um ano de frequência nessa instituição, os pais receberam relatos de alguns ex-funcionários sobre o que na realidade lá se passava, relativamente ao tratamento dado ao Iúri. Segundo os mesmos, porque a criança não fala, os pais ficaram a saber que a criança era afastada do grande grupo e respectivas actividades, era alvo de ofensas verbais inflingidas não só por algumas funcionárias e directora como pela maioria dos colegas, pelo que: se refugiava no Berçário sob a protecção da responsável por aquele espaço; era colocada de castigo no hall de entrada sendo objecto de avaliação e tema de conversa dos pais das outras crianças; que a sua alimentação se resumia a 2 iogurtes que ele próprio ía buscar à cozinha, por não dispôr de tempo suficiente para tomar a sua refeição no refeitório; que um dos motoristas da instituição o levava consigo enquanto procedia à recolha de outras crianças nas diversas instituições da cidade para o proteger dos abusos e humilhações a que era sujeito na instituição.
Simultâneamente surjem informações de auxiliares da Escola Básica - 1º Ciclo que então frequentava, que comprovavam não dispor a criança de tempo suficiente para almoçar - era sempre o ultimo a ser recolhido para o almoço e o primeiro a chegar à escola para iniciar o período da tarde.
Na posse destas informações a mãe preparava-se para confrontar a Directora mas, nesse mesmo dia foi informada por uma auxiliar de educação da Escola que a motorista da referida instituição havia transmitido que o Iúri deixara de a frequentar e a partir daquele dia deixaria de estar à sua responsabilidade. Indignada com tal atitude e não tendo sido contactada ou informada por quem de direito a mãe dirigiu-se à Instituição à procura de uma justificação, tendo encontrado o acesso negado às instalações e os haveres pessoais da criança (mochila, ferramentas de trabalho e roupas) despejados no chão, junto à porta principal no exterior. Apesar da elevada mensalidade que ali era cobrada (sem recibo) e escrupulosamente liquidada, a mãe não recebeu qualquer justificação para este desprezível e desumano acto.
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No ano seguinte o Iúri foi inscrito numa outra instituição privada, Centro de Ocupação de Tempos Livres da Associação Recreativa de (...) . Também aqui a instituição procedia à recolha das crianças nas respectivas escolas mas, ao 2º dia o Iúri foi ignorado pelo motorista, tendo sido acolhido pela sua professora e devolvido aos pais no seu local de trabalho. A mãe dirigiu-se à Directora do referido Centro supondo tratar-se dum esquecimento. Foi então informada que os pais das outras crianças haviam reunido extraordinariamente na noite anterior onde deliberaram unânimemente e exclusão do Iúri. Inquirida pela ausencia de aviso prévio aos pais a Directora justificou-se com o facto do Iúri ter chorado durante toda a sua estadia no dia anterior (1º dia) e acrescentou rematando: "quem tem filhos anormais que os ature".
De salientar que nesse 1º dia, o Iúri não foi integrado nas actividades do grupo tendo sido mantido no hall de entrada sujeito a comentários pouco simpáticos de vários pais de outras crianças que por lá íam passando.
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Através da mãe dum colega de escola do Iúri, os pais tiveram conhecimento da existência de instituição pública (na altura recente) destinada a dar apoio a crianças com déficit de aprendizagem e outros distúrbios do desenvolvimento, constituída por uma equipa multidisciplinar - técnicos de ensino especial, psicólogos e terapeuta de fala, entre outros. A mãe contactou a instituição "Casa dos Afetos", assim designada, e após várias tentativas conseguiu finalmente uma entrevista com a Responsável. Após um longo inquérito foi remetida para a "lista de espera", no entanto, tratando-se de um caso que requeria alguma urgência o mesmo iria ser assunto de uma reunião extraordinária, cuja deliberação seria transmitida aos pais na semana seguinte.
Várias semanas passaram sem que houvesse qualquer contacto. De novo,a mãe contactou a instituição e após várias tentativas foi informada que as inscrições naquela instituição deveriam ser requisitadas pela Escola que a criança frequentava. Na posse desta informação a mãe dirigiu-se à Directora da Escola e solicitou a inscrição da criança naquela Instituição, tendo obtido a garantia do empenhamento pessoal no tratamento da acção necessária para o efeito.
O ano lectivo findou, o seguinte iniciou e as notícias não chegaram. Mais uma vez, a mãe dirigiu-se à Casa dos Afetos, tendo sido recebida pela psicóloga e directora daquele espaço. Foi informada que não existia qualquer inscrição para o Iúri mas, perante a sua exposição foi-lhe prometida a integração da criança naquela instituição com a maior brevidade possível; foram-lhe fornecidos contactos da psicologa e de algumas mães de crianças autistas, promovendo o encontro e realçando a importancia da partilha de experiências comuns; foi também sugerido à mãe que procurasse apoio psicológico pois era visível a depressão em que se encontrava.
Foi um encontro animador. Mas a animação foi-se dissipando à medida que os dias, semanas, meses se sucediam sem qualquer resposta, favorável ou não. Todos os contactos que lhe haviam sido fornecidos se reveleram indisponíveis - nunca ninguém atendeu do outro lado.
Indignada, a mãe voltou a contactar a referida Instituição tendo encontrado a direcção substituída. Foi recebida por um novo elemento - Técnica de Serviço Social, que também dempenhava funções na Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo - APPDA de Coimbra, tendo obtido a confirmação da integração da criança após elaboração dum Plano de Actividades. Vários contactos foram estabelecidos nesse sentido, mas nada foi feito de concreto.
A mesma Técnica acumulava funções de chefia numa outra instituição onde o Iúri poderia igualmente beneficiar de outro tipo de atendimento e de actividades que o beneficiariam, tendo sugerido a sua inscrição lá também. Assim se procedeu. O Iúri foi inscrito, foi atendido (de má vontade) pela Terapeuta de Fala que mais não fez senão queixar-se de excesso de trabalho, durante uma suposta consulta de avaliação.
Passaram-se 3 anos sobre esta ocorrência sem que se tenha registado qualquer contacto.
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O Iúri não voltou a frequentar qualquer outra Instituição de Ocupação de Tempos Livres.
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Dado o seu interesse pela música, tentou-se increver o Iúri numa instituição particular para aulas de música - viola mas, ao perceber a dificuldade do Iúri o professor mostrou-se indisponível.