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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

IÚRI - Curriculo Escolar

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ENSINO BÁSICO - 1º Ciclo

Deu início à sua actividade escolar no ano lectivo de 2001 / 2002, na Escola Básica 1º Ciclo (...) na Marinha Grande, com 7 anos. A mãe solicitou uma auxiliar de acção educativa em regime de tarefa para apoio exclusivo ao Iúri, bem como uma técnica de ensino especial que viriam a ser facultadas pelo CAE de Leiria.

Apesar de integrado na turma o Iúri dispunha de um espaço exclusivo para as suas tarefas tendo o ECAE de Leiria facultado material didáctico; promovido acções de formação para as professoras e pessoal auxiliar e constituído suporte de orientação em acções educativas.

As relações pais-escola (professores e pessoal auxiliar) nem sempre foram as melhores pois o pessoal docente não reage muito bem às intervenções e observações dos pais mais atentos e exigentes, motivo pelo qual a mãe passou a ver a sua entrada na escola limitada a horários rígidos e específicos, ficando assim inibida de uma acção mais participativa na evolução escolar do Iuri.

Inseridas no Plano Educativo dos 1º + 2º anos e dos 3º + 4º anos foram ministradas aulas de judo e natação respectivamente, com periodicidade semanal (das 10h às 11h – 6ª feira).
Nas aulas de judo o Iúri não era integrado no grupo. Era isolado da turma imitando apenas alguns movimentos com o apoio da auxiliar tarefeira, uma vez que o monitor não concordava com a sua presença no ginásio por supostamente distrair os colegas e prejudicar o decurso das aulas.

No 3º ano e relativamente à natação (ministrada nas instalações da Piscina Municipal) o Iuri foi afastado dessa actividade por recusa do monitor, tendo assistido apenas à 1ª aula (muito embora as professoras afirmassem que ele assistiu a várias aulas e que se recusou a participar).
Após muita insistência da mãe junto de várias entidades tais como: CAEL; DREC; Ministério da Educação; Câmara Municipal da Marinha Grande, por intervenção desta última foi possível, já no 4º ano, a sua integração nessas aulas sob a orientação de um monitor disponibilizado para o efeito pelo CAEL , tornando-se essa actividade numa das preferidas do Iuri tendo a todos supreendido pelo seu bom comportamento e entusiasmo.

ENSINO BÁSICO - 2º Ciclo

Iniciou o 2º Ciclo no ano lectivo de 2005/2006, no Agrupamento de Escolas (...) na Marinha Grande. Para o receber foi criada uma Sala Estruturada, que dividia com 2 colegas com patologias em tudo diferentes da sua e naturalmente com necessidades também elas diferentes (Síndrome de Angelman e Trissomia 21).Esta Sala conta com o apoio de uma Técnica do Ensino Especial e 3 Auxiliares de Acção Educativa (tarefeiras).
Disposição da Sala Estruturada (cerca de 40m2):

3 áreas semi-privadas de trabalho (1 para cada aluno)
1 área comum Actualmente, 2006/2007, o Iúri frequentou o 6º.ano.
Na Sala Estruturada, para além da aprendizagem da Língua Portuguesa, Matemática (8 h/semana) e Informática (2 h/semana) de uma forma simplificada;
com reforço do professor da respectiva disciplina teve ainda:
  • Educação Musical - 4 h/semana
  • Psicomotricidade - 2 h/semana
  • Educação Visual e Tecnológica - 2 h/semana
  • Educação Física (no Ginásio) - 2 h/semana
  • Natação (na Piscina Municipal; transporte a cargo da Escola) - 2 h/semana

Com a Turma:

  • Educação Visual e Tecnológica - 4 h/semana
  • Educação Musical - 1 h/semana

Ao abrigo dum Protocolo da Escola com a APPACDM da Marinha Grande, em que o transporte é assegurado pela Encarregada de Educação (mãe):

  • BOCCIA - 1 h/semana
  • Terapia da Fala (individual) - 1 h/semana


AVALIAÇÕES / RESULTADOS

De uma maneira geral o Iúri tem atingido os objectivos dos Planos Educativos para cada ano de escolaridade. Mas... que OBJECTIVOS ?


Apesar do Iúri ser considerado uma criança "diferente" e com actividade escolar ao abrigo de curriculum alternativo, as avaliações e apresentação de Resultados e Planos Educativos era feita no horário prédefinido para a Turma não havendo lugar a uma reunião ou a um tempo de exposição e avaliação específico ou mais alargado, confinando-se estas a uma breve exposição pelas Professora de Apoio e Directora de Turma e, assinatura do Encarregado de Educação, não sendo inclusive facultadas cópias desses documentos à excepção da Avaliação Periódica.


Na verdade toda a evolução verificada no 1º ano parece ter estagnado e as dificuldades demonstradas pelo Iúri no 2º ano continuaram a manifestar-se no 6º ano, com particular incidência na compreensão e construção de frases bem como na matemática, tornando-se num forte indicador para os pais de que as técnicas pedagógicas aplicadas não serão as mais indicadas para ele.

Os pais sentem que as suas opiniões não são valorizadas e na falta de um diagnóstico clínico preciso os professores e técnicos do ensino especial têm-se sobreposto a essa competência formulando eles próprios o diagnóstico de autismo e orientando a terapia nesse sentido com base na sua “vasta experiência” e testes ditos científicos do tipo “1-X-2”.
Não obstante os pais terem consciência de que este tem sido o único apoio possível de que o Iuri beneficia e não querendo parecer “mal agradecidos” consideram-se contudo, insatisfeitos e frustrados com estas acções.


De salientar que a expressão verbal do Iúri tem vindo a evoluir de forma pouco natural, notando-se uma forte acentuação no soletrar silabicamente e que antes não se verificava.

Da mesma forma, os pais notaram que o Iúri perante uma ordem ou pedido que não entende bem adoptava uma postura de defesa como se receasse um castigo (encolhia-se, piscava os olhos e afastava o tronco para trás). Este comportamento foi relatado junto das professoras que de imediato afastaram qualquer responsabilidade e mostraram-se ofendidas com alguma hipotética acusação.


Apesar de todos afirmarem que o Iuri é uma criança muito meiguinha frequentemente as professoras do 1º Ciclo relataram episódios de agressividade para com elas e algumas auxiliares. No entanto, outras auxiliares de educação relataram aos pais que esses episódios só se verificavam no horário de trabalho com a professora do ensino especial e com a auxiliar tarefeira que supostamente lhe prestavam apoio; salientaram que nesses períodos o Iúri gritava e chorava talvez porque a forma de abordagem adoptada não fosse a mais adequada à criança (imperativa e com voz em tom demasiado alto).
As referidas queixas persistem no decorrer do 2º Ciclo.

Quanto a isso, é da opinião do monitor que o acompanha na APPACDM - BOCCIA pelo que tem testemunhado, que se trata de um comportamento normal de defesa em presença de episódios que estimulam essa atitude, acrescentando ainda que não se trata de uma atitude agressiva mas sim de procurar afastar uma situação desagradável.


O Pessoal Docente continuou impermeável às solicitações e opiniões dos pais, apesar de continuamente afirmarem que estão sempre disponíveis, no horário específico de atendimento aos pais (45 mn/semana). As reuniões solicitadas para, em conjunto se encontrarem soluções que visem um maior e melhor aproveitamento escolar e evolução pessoal do Iúri continuam em espera.

O Iúri dividiu um espaço com 2 crianças que receia, esgotava grande parte da sua energia e atenção a evitar os comportamentos estranhos e inocentemente abusivos dos seus companheiros de Sala.Na maioria das vezes que a mãe visitou a Sala sem aviso prévio, foi encontrá-lo junto à janela a observar outros alunos no recreio com aquele olhar sombrio e triste... aquele olhar de alguem que aspira a um mundo bem diferente do seu... olhar de passarinho na gaiola.

No 6º. ano de escolaridade, o Iúri contou com uma nova professora do ensino especial que de resto o vinha a acompanhar à distância desde a sua entrada para a Pré-Escola. Esta substituição veio trazer novas expectativas tanto no que diz respeito à evolução do Iúri quanto à melhoria das relações pais-escola.


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ENSINO BÁSICO - 3º Ciclo

De regresso a Setúbal, passou a frequentar a Escola Básica 2º e 3º Ciclos de Aranguez, da sua área de residência. Ingressou no 7º ano, numa Escola que não detinha o mínimo de condições para aceitar uma criança autista, quer a nível de material didático, quer a nível de recursos humanos. Sensíveis à nova situação, tanto o Conselho Directivo quanto a Coordenadora do Ensino Especial apesar de se sentirem notoriamente "perdidos e sem apoio", não se pouparam a esforços para receber o Iúri e darem o seu melhor.

O Iúri foi inserido num Grupo alunos com apoio especial ao abrigo de Currículo Alternativo, composto de 3 meninas (com patologias diversas) e ele (autista). Tinham um espaço onde trabalhavam com a professora do ensino especial (ponto de encontro) e algumas disciplinas com a restante Turma.

Na tentativa de porporcionar ao Iúri algumas actividades que não poderia desenvolver no espaço escolar, passou a frequentar a APPACDM de Setúbal, em cujas instalações numa quinta nos arredores da cidade passava todas as 3ªs feiras, das 10h às 16h.

A partir do 2º trimestre o Iúri passou a mostrar uma diminuição do interesse pelas actividades escolares, denotando uma visível desmotivação. Era frequente passar os dias "refugiado" na Biblioteca onde era mantido apenas para cumprir o horário escolar.

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Actualmente no 8ºano de escolaridade frequenta a mesma Escola, que pelo insucesso do Programa adoptado no ano lectivo anterior dá agora os primeiros passos numa Sala Estruturada, aguardando-se ainda, em pleno decurso das actividades escolares, algumas obras de remodelação do espaço destinado ao efeito.

(em construção)